É um dos adágios sobre a adversidade registrado nos "Provérbios" de Mário Lamenza. Também aí se encontram: A adversidade embeleza os caracteres que não avilta e A adversidade faz o homem prudente e não rico. Montaigne cita no capítulo III do livro segundo dos "Ensaios" dois trechos latinos expressivos sobre esse tópico. Um, de Sêneca, que diz: Non est, ut putas, pater. Timere vitam, sed malis ingentibus. Obstare, nec se vertere ac retro dare (Não, a virtude não consiste como tu o pensas, ó pai, em temer a vida, mas em fazer face às grandes adversidades e jamais voltar-lhes as costas). Outro, de Marcial, diz: Rebus in adversis facile est contemnere mortem. Fortius ille facit qui miser esse potest (Na adversidade é fácil menosprezar a morte; o mais bravo é o que sabe ser infeliz).
Nota
Aviltar: 1. Torna-se vil, desprezível, desonrar, humilhar. 2. Causar abjeção.
A minha curiosidade e a de tantos outros alunos que tive no decorrer desses 20 anos, me levou a pesquisar a origem de muitas expressões ou ditos populares usados por todos nós diariamente. Acredito que, se não for útil, será no mínimo divertido. Obrigada.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
domingo, 18 de novembro de 2012
Quem dá aos pobres, empresta a Deus
Sentença baseada no texto bíblico do "Provérbios", Foeneratur Domino qui miseratur pauperis (O que se compadece do pobre empresta ao senhor). Com a forma Qui donne aux pauvres, prête à Dieu, serve de epígrafe à poesia de Victor Hugo, "Pour les Pauvres" (Para os pobres), do volume "Feuilles d'Automne" (Folhas do Outono). Castro Alves repetiu o verso Huguono no título de uma de suas poesias das "Espumas Flutuantes", em que pedia auxílio para os órfãos dos soldados brasileiros mortos na Guerra do Paraguai, contribuindo assim de maneira significativa para a difusão dessa máxima.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Já aqui não está quem falou
Mais conhecido como: Já não está aqui quem falou. Modo pitoresco de retratar uma opinião, ou ceder diante de um esclarecimento ou raciocínio alheio. Na comédia da Martins Pena, "O juiz de paz da roça", o magistrado, depois de saber que José se havia casado com Aninha, diz-lhe: "O senhor queira perdoar se o chamei de biltre; já aqui não está quem falou". João Ribeiro demonstra, nas "Frases Feitas", que a expressão já era usada no século XVIII, transcrevendo estes versos do poeta arcádico e dramaturgo português Manuel de Figueiredo: "Isso é o que nós dizemos: Já aqui não está quem falou".
Nota
Biltre: s.m. Homem desprezível, tratante, patife, salafrário, safardana.
Nota
Biltre: s.m. Homem desprezível, tratante, patife, salafrário, safardana.
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Fazer o diabo a quatro
O mesmo que pintar a manta. Fazer desordem ou ruído, promover incidentes de toda a espécie. A expressão é francesa e teve origem nas representações dos mistérios do teatro medieval, em que era constante a presença do diabo. Havia diabruras pequenas, em que aparecia um só diabo, às vezes dois, e grandes diabruras, em que vinham quatro diabos, fazendo grande estardalhaço. Donde diabo a quatro, locução que aparece nesta frase de Voltaire: Je ferai le diable à quatre pour faire acepter sa pancarte (Farei o diabo a quatro para fazer aceitar sua tarefa), o que mostra que tinha curso entre os intelectuais mais ilustres do século XVIII.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Espantar os males
O adagiário português está cheio de conselhos para espantar os males por meios de cantigas, certamente alegres. Há nos "provérbios" de Mário Lamenza estas três formas: Quem canta, maus fados espanta, Quem chora mais os aumenta e Quem canta, seus males espanta. Mas a forma mais divulgada é a que consta do início desta trova lusitana: Quem chora seu mal aumenta; eu canto p'ra aliviar esta dor que me atormenta. Simões Lopes Neto, nos "Contos Gauchescos", registra esta quadra que diz ser de uma toada dos seus pagos: "Quem canta refresca a alma; cantar adoça o sofrer; quem canta zomba da morte; cantar ajuda a viver!" Isso não impede que outros rifões apresentem restrições: Quem canta antes do almoço, não chega ao sol posto e Quem canta na mesa e dança no leito, é tolo perfeito. Camões, porém, assim versejava: "E o trabalhador cantando, os seus males menos sente."
Nota
Adagiário: coleção de adágios (provérbios).
Rifão: Adágio ou provérbio.
Nota
Adagiário: coleção de adágios (provérbios).
Rifão: Adágio ou provérbio.
domingo, 22 de julho de 2012
Lamber as botas
Lamber as botas ou limpar as botas de alguém é praticar ato do mais baixo servilismo. A expressão é comum a vários idiomas. Em inglês, bootlicker ou bootlick (palavras da gíria dicionarizadas por Maurice H. Weseen em "A Dictionary of American Slang"). Em francês: Lèche-bottes, usada pelo poeta Jacques Ancelot (1794-1854) nestes versos: "Tous ces gens tatoués de plaques et de croix ont lèche sans rougir la botte de vingt rois" (Toda essa gente carregada de condecorações, lambeu sem ruborizar-se as botas de vinte reis). Em italiano: Leccapiedi (lambe pés), ou leccazampi (lambe patas).
sábado, 21 de julho de 2012
Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura
Provérbio de origem latina enunciado em um verso de Lucrécio, da seguinte forma: Stillicidi casus lapidem cavat (A água que tomba gota a gota fura o rochedo). A mesma coisa afirmou o poeta Ovídio, nestes versos da "Arte de Amar": Quid magis est durum saxo? Quid mollius unda? Dura tamen molli saxa cavantur aqua (Que é mais duro que uma pedra? Que é mais mole que a água? Contudo, a água mole cava a pedra dura).
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